A dinâmica da inflação segue como um dos principais pontos de atenção do mercado financeiro brasileiro em 2026. As projeções mais recentes do Boletim Focus indicam uma revisão para baixo das expectativas de inflação, com o IPCA estimado em torno de 4,02% para o ano. Esse patamar posiciona a inflação dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, o que contribui para uma leitura mais construtiva do cenário macroeconômico.
A melhora nas expectativas reflete, em parte, a percepção de maior efetividade da política monetária conduzida pelo Banco Central, além de sinais de desaceleração gradual dos preços de serviços e menor pressão de custos em alguns segmentos da economia. Também pesa nesse movimento a expectativa de menor volatilidade cambial e de uma atividade econômica crescendo de forma mais moderada, reduzindo riscos inflacionários de demanda.
Para os agentes de mercado, essa convergência do IPCA à meta fortalece a discussão sobre flexibilização gradual da taxa Selic ao longo de 2026, ainda que o ritmo e a magnitude dos cortes sigam condicionados à ancoragem das expectativas e ao comportamento fiscal. Em termos práticos, um cenário de inflação mais controlada tende a melhorar o ambiente para investimentos produtivos, crédito e valuation de ativos, ao mesmo tempo em que reforça a importância de monitorar riscos externos e domésticos que possam reverter essa tendência.

