O Brasil encerrou o segundo trimestre de 2026 com 6.382 empresas em recuperação judicial, um crescimento de 22% em 12 meses.
Mas o número mais importante não é o volume de empresas.
É entender por que empresas que ainda possuem clientes, faturamento, ativos e capacidade operacional chegam ao ponto de não conseguir pagar suas dívidas.
Em muitos casos, o problema não está na operação.
Está na estrutura financeira.
Juros elevados, dívida de curto prazo, capital de giro insuficiente, margens pressionadas e descasamento entre recebimentos e pagamentos podem transformar uma empresa economicamente viável em uma empresa financeiramente inviável.
O ciclo é conhecido:
Dívida cresce → custo financeiro aumenta → caixa diminui → capital de giro desaparece → crédito fica mais caro e escasso → a dívida cresce novamente.
Quando isso acontece, olhar apenas para o faturamento ou para o EBITDA já não é suficiente.
É preciso responder a perguntas mais importantes:
Quanto a empresa realmente vale?
Qual é sua capacidade de geração de caixa?
Qual estrutura de capital é sustentável?
A dívida pode ser reestruturada?
É melhor captar, vender ativos, buscar um investidor ou realizar uma operação de M&A?
Recuperação judicial pode ser uma alternativa para empresas viáveis em crise financeira. Mas, muitas vezes, o problema deveria ter sido enfrentado antes de chegar ao Judiciário.
Porque uma empresa em crise não necessariamente perdeu seu valor.
Às vezes, o valor continua existindo — mas está escondido atrás de uma estrutura financeira inadequada.
É nesse ponto que Valuation, Reestruturação Financeira e M&A deixam de ser ferramentas isoladas e passam a fazer parte da mesma decisão estratégica.
Crise financeira não significa necessariamente destruição de valor.
Pode significar que é hora de reorganizá-lo.

