O elevado custo de capital no Brasil é um dos principais desafios enfrentados pelo empresário e atua como um freio estrutural ao empreendedorismo. Historicamente, os juros brasileiros são altos por uma combinação de fatores: risco fiscal persistente, elevado endividamento público, histórico de inflação desancorada, baixa poupança interna e forte percepção de insegurança jurídica. Para compensar esse ambiente de incerteza, credores exigem prêmios de risco elevados, o que se reflete em taxas de juros reais entre as mais altas do mundo, mesmo em ciclos de queda da Selic.
Esse cenário afeta diretamente a atividade empreendedora. O crédito caro reduz a viabilidade econômica de novos projetos, encurta horizontes de planejamento e desestimula investimentos produtivos de longo prazo. Muitas empresas deixam de expandir, inovar ou contratar porque o retorno esperado do negócio não supera o custo do capital. Na prática, bons projetos morrem na planilha financeira antes mesmo de sair do papel, enquanto o empreendedor é empurrado para decisões defensivas, como operar em escala menor ou depender excessivamente de capital próprio.
Além disso, o empresário brasileiro convive com múltiplas incertezas. Há dúvidas sobre a estabilidade das regras tributárias, mudanças frequentes na legislação, volatilidade cambial, pressão inflacionária e imprevisibilidade macroeconômica. Soma-se a isso a dificuldade de acesso a linhas de crédito estruturadas e de longo prazo, especialmente para pequenas e médias empresas. Empreender no Brasil, portanto, exige não apenas visão estratégica e capacidade de execução, mas também resiliência financeira para sobreviver em um ambiente onde o custo de errar é alto e o capital, escasso e caro.

