Fusões e Aquisições no Brasil em 2025: Crescimento Recorde, Oportunidades e Riscos no Horizonte

Boom de Fusões e Aquisições no Brasil: por que 2025 se tornou um dos anos mais estratégicos da história do M&A

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) vive em 2025 um dos seus ciclos mais aquecidos das últimas décadas. Com quase mil transações registradas até agosto, movimentando bilhões de reais, o Brasil se consolida como líder absoluto da América Latina em volume e valor de operações. O avanço é impulsionado principalmente pelos setores de tecnologia, alimentos e saúde, favorecidos por um ambiente de juros mais controlados, digitalização acelerada e maior apetite de investidores locais e internacionais.

Ainda que o cenário seja amplamente positivo, o momento exige cautela. Riscos macroeconômicos, a aproximação do ciclo eleitoral de 2026 e desafios de integração pós-fusão seguem no radar de investidores e executivos. Os números impressionam, mas a sustentabilidade desse crescimento depende de fatores estruturais e de estabilidade política.

Um Ano de Números Expressivos

Até agosto de 2025, o Brasil contabilizou 954 operações de M&A, o maior volume desde 2008, desconsiderando o pico atípico observado durante a pandemia. Esse número representa um crescimento de 13% em relação a 2024, com cerca de R$ 120 bilhões em valores transacionados.

O setor de tecnologia lidera com destaque, respondendo por aproximadamente 33% das operações, impulsionado por fintechs, healthtechs e empresas focadas em inteligência artificial, cibersegurança e proteção de dados. A busca por escala, eficiência e incorporação rápida de inovação explica esse protagonismo.

Entre os principais destaques do ano estão:

  • A fusão entre BRF e Marfrig, que resultou na criação da MBRF, uma das maiores processadoras de alimentos do mundo;

  • A venda de ativos da Vale, somando cerca de US$ 1 bilhão;

  • Forte atividade no setor financeiro, com mais de 60 transações;

  • Crescimento relevante em energia renovável e entretenimento, alinhados às agendas de sustentabilidade e ESG.

O aumento da participação de investidores estrangeiros reforça a percepção de confiança no mercado brasileiro, especialmente em operações estratégicas de consolidação e expansão.

Por Que o Boom de M&A Faz Sentido

O atual ciclo de fusões e aquisições não se resume a movimentos oportunistas. Em grande parte, trata-se de estratégias de fortalecimento competitivo, ganho de escala e expansão internacional. A fusão entre BRF e Marfrig, por exemplo, permite otimização da cadeia produtiva, redução de custos e ampliação de mercados globais, com sinergias estimadas entre 20% e 30% no médio prazo.

No setor de tecnologia, aquisições de startups aceleram o desenvolvimento de soluções digitais, reduzem o tempo de lançamento de produtos e ampliam a competitividade das empresas adquirentes. Esse movimento também gera empregos qualificados e amplia o acesso do consumidor a produtos mais eficientes e inovadores.

Outro fator decisivo é o capital estrangeiro. O Brasil lidera a América Latina com cerca de US$ 37 bilhões em operações de M&A, atraindo fundos interessados em digitalização, sustentabilidade e crescimento estrutural. Para empreendedores, isso representa acesso a recursos para expansão sem depender exclusivamente de crédito bancário, favorecido ainda pelo cenário de juros mais baixos.

Os Riscos por Trás do Entusiasmo

Apesar do ambiente favorável, alguns sinais pedem atenção. O ritmo de crescimento do mercado desacelerou ao longo do ano, passando de 24% no primeiro trimestre para 13% no segundo, indicando possível acomodação após um ciclo intenso de expansão.

As eleições de 2026 também surgem como fator de incerteza. Historicamente, períodos eleitorais no Brasil tendem a adiar decisões estratégicas e reduzir o apetite por grandes transações, especialmente aquelas que dependem de aprovação regulatória.

Além disso, nem todas as fusões entregam o valor esperado. Integrações mal executadas podem gerar conflitos culturais, duplicação de estruturas, perda de eficiência e aumento de custos. Setores regulados, como o financeiro, enfrentam ainda maior escrutínio do CADE, o que pode atrasar ou até inviabilizar determinadas operações.

No cenário internacional, a retração de cerca de 9% no mercado global de M&A contrasta com o desempenho brasileiro, mas reforça os riscos associados à volatilidade cambial e a instabilidades externas.

Perspectivas para 2026: Crescimento com Seleção

As projeções indicam que o Brasil pode encerrar 2025 com até 1.400 transações, mantendo atividade relevante em 2026, ainda que de forma mais seletiva. Os setores mais promissores seguem sendo inteligência artificial, energias renováveis, healthtechs e negócios alinhados a ESG.

O investimento estrangeiro pode crescer cerca de 20%, com foco em carve-outs e startups escaláveis. A expectativa é de um primeiro semestre mais cauteloso em 2026, seguido por retomada no segundo semestre, caso o ambiente político e macroeconômico permaneça estável.

O Que os Dados Indicam

Os números apontam para um mercado de M&A mais maduro e sofisticado, com diversificação além das commodities e forte presença de tecnologia e sustentabilidade como vetores de crescimento. O Brasil se consolida como hub regional, à frente de países vizinhos que enfrentam desafios estruturais.

Ao mesmo tempo, os dados reforçam a importância de planejamento estratégico, due diligence rigorosa e disciplina na execução. O futuro é promissor, mas exige vigilância constante para que o ciclo de crescimento se sustente.

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