As terras raras constituem um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a economia moderna e para a transição tecnológica global. Embora não sejam necessariamente escassas na natureza, sua extração e processamento são complexos, custosos e ambientalmente sensíveis, o que confere elevado valor estratégico a esses minerais. Do ponto de vista econômico, as terras raras são insumos críticos para veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de alta performance, semicondutores, catalisadores, equipamentos médicos e aplicações militares, posicionando-as no centro das cadeias globais de valor tecnológico.
O mercado global de terras raras movimenta atualmente cerca de US$ 4 a 5 bilhões por ano, com projeções que indicam crescimento consistente ao longo da próxima década, podendo atingir entre US$ 6 e 10 bilhões até o início dos anos 2030. Esse avanço é impulsionado principalmente pela eletrificação da frota mundial, expansão das energias renováveis e maior demanda por dispositivos de alta eficiência energética, refletindo taxas de crescimento anual superiores a 8%.
Em termos de reservas e controle da cadeia produtiva, a China ocupa posição dominante, detendo as maiores reservas conhecidas e, sobretudo, o controle do refino e processamento global. Na sequência, destacam-se países como Brasil, Índia, Austrália, Rússia e Vietnã, sendo o Brasil detentor da segunda maior reserva mundial, embora ainda pouco explorada economicamente.
As principais empresas do setor incluem grandes grupos chineses, como a China Northern Rare Earth Group, além de players relevantes em economias ocidentais, como Lynas Corporation (Austrália), MP Materials (EUA) e Shin-Etsu Chemical (Japão). A elevada concentração geográfica da produção torna as terras raras uma commodity estratégica, ampliando sua relevância econômica, geopolítica e industrial, e estimulando investimentos globais em diversificação de fornecedores, reciclagem e desenvolvimento de cadeias produtivas locais.

